A arte que ninguém vê
Uma das características do ser humano quer seja ele cético ou não, é a lei de Tomé: "ver para crer”.
Por mais que se acredite em algo (um político, uma teoria, uma fantasia) Somente se tornado fato é que é possível ter a certeza. Certeza que é uma das necessidades humanas.
Com exceção dos crentes e místicos que ocorre o contrario: crêem para ver, fenômeno compreensível por ser uma cultura milenar.O que é impossível de se entender para o ser humano comum é o fenômeno da arte contemporânea: “Não ver e crer"
Mesmo com a definição da arte consolidada a mais de quinhentos anos no Renascimento; da arte desde a pré-história até a arte da metade do século XX, O público se não entende na sua totalidade, pelo menos aceita e crê que o que está vendo é arte.
A partir do dadaísmo, que foi criado num tom de brincadeira e se tornou sério, até chegar na arte atual, é inacreditável o que é apresentado e aceito como arte: Pedaços de carne apodrecendo no museu, tripas com sangue, burros, carros pendurados, malas e sapatos velhos, perucas; e como todo homem de bom senso não vê arte nisso, aquilo é aquilo mesmo, mas leva o nome de arte, como se fosse no sentido de metáfora, sem semelhança ou de metonímia, sem relação. Na pior das hipóteses algumas coisas podem ser consideradas interessantes, mas não arte, e que ficariam bem numa exposição de "coisas interessantes", como aquelas exposições de invenções malucas.
E o que deveria ser apresentado como verdadeira arte, verdadeira por ser secular e que vive e sobrevive independente do sistema, o mesmo sistema que tenta matar essa cultura como matam a cultura indígena, oferecendo novas tecnologias, mas que nunca deu certo por que arte não se adquire com títulos, arte é necessidade vital para o homem diferente que tenta revelar os mistérios da existência, como disse Stella Adler: “A vida bate e estraçalha a alma e a arte nos lembra que você tem uma”.
Marcos Ribeiro
30 de setembro de 2006

