META HTTP-EQUIV="Content-Type" Content="text/html; charset=iso-8859-1"> Crítica à arte contemporânea - Marcos Ribeiro Ecce Ars: September 2006

Friday, September 29, 2006

A arte que ninguém vê

Uma das características do ser humano quer seja ele cético ou não, é a lei de Tomé: "ver para crer”.
Por mais que se acredite em algo (um político, uma teoria, uma fantasia) Somente se tornado fato é que é possível ter a certeza. Certeza que é uma das necessidades humanas.
Com exceção dos crentes e místicos que ocorre o contrario: crêem para ver, fenômeno compreensível por ser uma cultura milenar.O que é impossível de se entender para o ser humano comum é o fenômeno da arte contemporânea: “Não ver e crer"
Mesmo com a definição da arte consolidada a mais de quinhentos anos no Renascimento; da arte desde a pré-história até a arte da metade do século XX, O público se não entende na sua totalidade, pelo menos aceita e crê que o que está vendo é arte.
A partir do dadaísmo, que foi criado num tom de brincadeira e se tornou sério, até chegar na arte atual, é inacreditável o que é apresentado e aceito como arte: Pedaços de carne apodrecendo no museu, tripas com sangue, burros, carros pendurados, malas e sapatos velhos, perucas; e como todo homem de bom senso não vê arte nisso, aquilo é aquilo mesmo, mas leva o nome de arte, como se fosse no sentido de metáfora, sem semelhança ou de metonímia, sem relação. Na pior das hipóteses algumas coisas podem ser consideradas interessantes, mas não arte, e que ficariam bem numa exposição de "coisas interessantes", como aquelas exposições de invenções malucas.
E o que deveria ser apresentado como verdadeira arte, verdadeira por ser secular e que vive e sobrevive independente do sistema, o mesmo sistema que tenta matar essa cultura como matam a cultura indígena, oferecendo novas tecnologias, mas que nunca deu certo por que arte não se adquire com títulos, arte é necessidade vital para o homem diferente que tenta revelar os mistérios da existência, como disse Stella Adler: “A vida bate e estraçalha a alma e a arte nos lembra que você tem uma”.


Marcos Ribeiro
30 de setembro de 2006

Tuesday, September 19, 2006

A ERA DA REPRODUTIBILIDADE DA AURA NA OBRA DE ARTE

Muito se discutiu sobre arte contemporânea nos últimos tempos - embora muito pouco divulgado esse debate – nunca na história da arte um movimento foi por tanto tempo negado, bombardeado e permanecido estático, sem reagir.
Os defensores permanece há décadas dizendo que só no futuro será compreendida a produção artística de hoje, será a Leda Catunda o Kandinsky de amanhã?
Outro argumento usado pelos advogados do sistema das artes: Curadores, professores, críticos, artistas é o ensaio de Walter Benjamim, A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, que, com a descoberta da fotografia, a função social da obra desloca-se do ritual para o político, rompendo com a aura que antes seria da Monalisa, a aura compromete-se com o efêmero, a simulação, a novidade.
Com isso a aura que pertenciam a artistas que além de serem gênios criadores e dominadores da técnica, se democratiza, transferindo a aura para o homem comum, surgindo a cada ano centenas de milhares de artistas no circuito artístico.Espaço que até então era disputado na Europa por Picasso, Salvador Dali, Magritte, Mondgliani, Matisse, Fernand Leger, Klimt, Paul Klee, Munch e no Brasil Portinari, Di Cavalcanti, Pancetti, Guignard, Antonio Bandeira, Ismael Nery entre tantos outros.
Liberdade, pra que? Ou, Técnica, pra que? Certa vez ouvi que técnica se aprende e até um animal, se treinado aprende, Como gostaria que meu gato tocasse Mozart ou meu cachorro reproduzisse a Escola de Atenas de Rafael.
E depois de quase um século do ensaio de Walter Benjamim, no que se transformou a aura da obra de arte?
A aura não teria sido transferida da Monalisa para o urinol? Não estaria nas obras de Beyus, Manzoni, Lygia Clark, Hélio Oiticica? Ou pior ainda, não estaria nas etiquetas coladas ao lado das obras?
Pois, supomos que, se tirassem às etiquetas de uma exposição de arte contemporânea (mesmo arte contemporânea de 50 anos atrás) seria o mesmo que jogar inseticida numa caixa com baratas dentro, as pessoas não saberiam se a cadeira é uma obra, se a porta é a saída ou se o vaso sanitário faz parte da exposição.
Assim atravessou o século XX, e já estamos entrando para a quarta bienal de artes de São Paulo no século XXI, e como estamos na era do clone, logo veremos o clone da Bienal de Veneza, uma fábrica de novos artistas e de dinheiro, disputando o quarto poder com as igrejas e o jogo de azar.

Marcos Ribeiro
19 de setembro de 06