META HTTP-EQUIV="Content-Type" Content="text/html; charset=iso-8859-1"> Crítica à arte contemporânea - Marcos Ribeiro Ecce Ars: TRATADO SOBREA A ARTE CONTEMPORÂNEA

Sunday, March 04, 2007

TRATADO SOBREA A ARTE CONTEMPORÂNEA


Diante do fenômeno da arte atual, ou seja, da arte oficial chamada contemporânea, que é aprendida e vista nas instituições oficiais, chega-se a uma conclusão: a arte se tornou um “sistema”, uma “seita fechada” comparada com uma religião, uma “opus dei” que somente os cardeais, que são os curadores, galeristas, (a)críticos, semioticistas e certos professores universitários têm acesso ao entendimento.
Qual seria a utilidade de tal arte?
Se o utilitarismo da arte na Grécia existia em função do culto dos deuses e serviu de base e inspiração para a igreja que passou a controlar a arte da Idade Média ao Barroco, no Romantismo houve uma mudança e a arte passou a privilegiar a subjetividade individual do artista.
Essa subjetividade individual atravessou o século XIX e chegou ao século XX. Os modernos, mesmo rompendo com o padrão clássico grego (seja no romantismo, impressionismo, cubismo, surrealismo, expressionismo etc), atacando o belo tradicional, mesmo assim fizeram uma arte que sempre esteve direcionada para outras formas de belo, mesmo que fosse o belo do horror , como no romantismo ou na arte de Picasso; o belo infantil, como no fauvismo de Matisse; ou até no belo clássico do surrealismo de Salvador Dali.
Mas como a palavra de ordem no início do século XX era o modernismo, em virtude do avanço da revolução industrial, no pós- guerra a palavra de ordem mudou para pós- modernismo. E enquanto as bombas destruíam parte do mundo, os pós-modernistas destruíam os valores artísticos, na literatura, na música e nas artes plásticas.
Pegando carona no movimento dadaísta e com sua obra-base, o “urinol” de Duchamp, de 1917, nos anos de 1960 os conceitualistas fundam um movimento em que a obra é substituída pela idéia, negando a estética, o luxo e os museus. Buscaram uma realidade não artística, e que ficou conhecida como arte conceitual ou antiarte. A arte para eles existia para o agora, eliminando o suporte material, e deveria estar submissa apenas ao plano mental de sua criação.
Já nos anos de 1970, pela primeira vez na história da arte o mercado funda um movimento artístico, se apropriando das idéias dos conceitualistas, mas fazendo uso do suporte para se comercializar. Surge então a Arte Contemporânea, uma arte conceitual, mas agora dependente do objeto
Voltando ao início do texto quando disse que a arte virou um sistema, ou uma seita fechada (por que pouquíssimas pessoas a entendem); por outro lado milhares de pessoas vão visitar esses espaços de arte e até dizem gostar. Como é possível dizer que é arte isso que se instalou no lugar da arte? Carros alçados por fios de nylon , toras de madeira, guarda-chuvas, ferramentas de pedreiro, pratos, lugares vazios, só para dar um pequeno exemplo de obras que foram apresentadas nas ultimas duas bienais de São Paulo, a 26º e a 27ª edição.
Para achar uma resposta para tal fenômeno é preciso retornar ao auge da arte conceitual:
Um dos maiores nomes do movimento foi o irônico Joseph Beuys, e foi ele quem deu a direção de como o mercado e o sistema faziam para as pessoas crerem que estão vendo arte aonde não existe arte.
Se a anedota de Picasso foi verídica, que ele fazia rabiscos no guardanapo para pagar contas em restaurantes, ou Duchamp que desenhou um cheque para pagar o dentista, Beuys foi além: fez uma performance que é vista no vídeo “todo mundo é artista” em que ele assina as roupas das pessoas andando na rua e essas roupas se tornam obras de arte, eliminando assim o suporte artístico tradicional, a obra misticamente é substituída pelo fetiche desde que o artista possua uma aura criada pelo marketing. Essa aura é o seu próprio valor de mercado, seu nome transformado em mercadoria de luxo.
Mas foi em sua performance: COMO ENSINAR ARTE A UMA LEBRE MORTA, que foi dado o toque de Midas.
Beyus com o rosto coberto de gordura é fotografado segurando no colo uma suposta lebre morta ; e parafraseando a lenda de Andersen “A roupa nova do imperador”, as pessoas vêem arte em tudo que é dito ser arte, eliminando o senso critico por medo de serem tachadas de ignorantes ou melhor: lebres mortas.
Diante desse distanciamento entre arte e pessoas comuns, a arte fica nas mãos dos que sabem ler os códigos caros aos semioticistas, que utilizam-se de todo um aparato cientifico para entender e decodificar a mensagem dos ditos artistas, deixando os críticos, historiadores e filósofos da arte em ultimo plano.
O prazer estético que existia entre o público e obra de arte da lugar à razão cerebral dos intelectuais. E a arte, que até essa separação era um momento de êxtase entre artista e público, é substituída pela ciência da semiótica e podemos trazer novamente em questão o que Nietzsche disse sobre a ciência há mais de cem anos:
“O cientista é o ‘homem sanguessuga’ que substituiu o culto dos valores divinos pelo culto da ciência.”

*** MARCOS RIBEIRO ***
Fevereiro de 2007

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